arquivo para dezembro, 2008
GP2008 - Sessões Paralelas
Durante a tarde, a idéia foi trabalhar diversos temas, em diversas salas. Você escolhia o que lhe parecia mais interessante e mandava bala na presença.
Escolhi a palestra do Uli da Santa Clara. Embora tenham sido apenas 20 minutos de palestra, foi mais do que o suficiente para prvocar quem estava ali. E como provocou. Num evento com a idéia de falar sobre diálogo entre marcas e pessoas, foi muito interessante ouvir alguém colocando, com categoria, que marcas não dialogam e que isso é exclusividade das pessoas. Que o que se tem visto foi um esforço para forçar a barra, derrubando a autenticidade para o ralo com ações que não têm nada a ver com a “profundidade e a textura das marcas”. Teve um pouco de antropologia e também um pouco de exemplo, de análise e entendimento da parte prática.
Pela primeira vez vi alguém falar com clareza de assuntos densos que sempre foram falados com ares mais teóricos do que práticos.
Reforçando o raciocínio do Gareth Kay, foi falado bastante do media neutral, que presume a revisão do peso dos conceitos, de equipes inteiras que ficam presas mais à necessidade de se enquadrar uma estratégia em determinados dogmas do que necessariamente entendendo o papel delas. Resumindo: como ficaria uma marca, atendida por uma agência 360º, se na realidade a verba só comportar 30º?
Simples e direto.
Em seguida fui conferir o tal do Story Planning, com o DeTomazo da JWT. Foi um momento bacana e divertido, que bate muito com o que temos tentado trabalhar nas nossas apresentações de planejamento. Tá bom, foi muito específico o tema, mas é aí que está o x da questão, pois esse é um detalhe deixado de lado nos nossos projetos, mas que impactam diretamente todos os envolvidos, sejam eles da criação, do cliente ou de onde quer que venham. O tema, que pegou carona na tendência do pessoal da criação, sugere que nossas idéias sejam muito bem contadas, para que possam ser bem vendidas e, acima de tudo, bem compradas.
sem comentáriosGP 2008 - Marcelo Tas e Gareth Kay
A terceira palestra do dia foi informal, despretensiosa e num tom totalmente adequado à essa idéia de conversações.
Confesso que esperava menos.
Marcelo Tas falou um pouco da indústria da informação e do entretenimento, da democratização do acesso ao conhecimento e principalmente da geração aleatória dele.
Foi bacana olhar para um outro lado da internet, pelos olhos de quem deve ter acompanhado ansiosamente cada um dos passos que ela deu até chegar no estágio de hoje. “Tem gente que acha que isso é pouco”, foi uma das várias tiradas que ele disparou, sobre o conservadorismo que ainda resiste e coloca a internet como uma bolha à parte do cotidiano das pessoas. Ou melhor, nas palavras dele, internet = digitalização, publicação, público.
E terminou com um conselho: “Na dúvida sobre alguma novidade, observe o comportamento das crianças”.
Na sequência quem falou foi o Gareth Kay, da Modernista!. Foi uma palestra densa, com diversos ângulos sobre diversos assuntos. Começou falando sobre a necessidade atual do planejamento, que precisa desesperadamente de mais planejamento para si próprio, para se entender no contexto e na realidade das suas tarefas.
Para ele, devemos ser mais radicais, no sentido literal da coisa, de raiz, origens. De voltar as energias para a criação de coisas simples, inteligentes e que estão muito distantes da chamada BIG IDEA tanto discutida em Cannes. A crítica foi bem em cima das novas tecnologias aplicadas com velhas idéias, que acabam confundindo na hora de trabalhar nas ações de comunicação.
Resumiu muito bem que as marcas precisam de coerência e não consistência apenas, e isso deve ser muito bem observado na hora de trabalhar nos meios. Uma mesma idéia funcionando da mesma forma em todos os locais é muito perigoso e pode não funcionar. Defendeu abertamente a pluralidade que uma marca deve ter, conseguindo adaptar sua linguagem de acordo com o local onde se expõe.
Um termo que ele falou e que chamou atenção foi a tal da molécula da marca, onde elementos essenciais interligam outros elementos, num equilíbrio entre meios e mensagens que acabam fazendo todo o sentido nas ações, revelando o tal do perigo da comunicação 360º que ele tinha colocado anteriormente.
Palestra para ficar matutando vários dias sobre o nosso trabalho de cada dia.
1 comentárioGP 2008 - Primeiras Impressões
Com o tema Conversações, a conferência do GP 2008 está se esforçando para nos fazer cair a ficha.
Cair a ficha sobre as redes de informação das pessoas e não das marcas. Cair a ficha sobre como poder desenvolver um sentido prático e aplicável disso tudo, para nós que ficamos na inércia dos nossos escritórios.
Diálogo afinado, atualizado e baseado em uma novidade de 1999. Simplesmente ainda não absorvida.
A primeira palestra foi do Thiago Pinto, da Nike. Marca por excelência. Que tem se esforçado para permanecer nesse pantão sem cair no esquecimento da irrelevância. O que mais chamou a atenção foi a casualidade de um dos cases de sucesso. Lembram do viral do Ronaldinho? Pois bem, ele só viralizou por um “erro” de alguém da equipe, que resolveu colocar no YouTube o conteúdo de um teste informal no campo de provas da empresa.
Ou seja, nada forjado (no sentido da forja mesmo, o produzido em fornalha) de uma estratégia receita de bolo. Segundo o palestrante, isso serviu - depois de muitas análises se o ocorrido era positivo ou negativo -para a empresa trabalhar mais no ambiente do consumidor. Aliás, no ambiente das pessoas.
Uma pena ver que essa casualidade acabou se resumindo a essa iniciativa até inocente do funcionário na época, pois os demais cases revelaram nossa ainda persistente (in)capacidade de entender como mandar bala numa estratégia bacana, autêntica e funcional. Talvez, o que falta, é uma estratégia desproposital.
A segunda palestra, com Marcelo Coutinho (Ibope Inteligência) falou de política 2.0.
Mas nada sobre pesquisas políticas, estatísticas e confirmações de resultados de campanha. Falou muito sobre como os políticos têm a capacidade de entender a transformação das redes sociais antes das marcas, com um faro apurado e um senso prático de aplicação disso tudo.
Falou do efeito fliperama das informações, regido pela distribuição incontrolável de tudo que é produzido, a conversação propriamente dita.
E terminou com um mea culpa excelente, dizendo que os isntitutos realmente não sabem como proceder com as novas pesquisas para essa nova era.
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